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Tenho Sete Gigantes PDF Imprimir E-mail

Jan/2009 -  Daniela Torres - MdeMulher
Sou a única dona dos cães da raça Irish Wolfhound no Brasil. Cada um deles chega a 2,30 m de altura em pé e 90 quilos. Patrícia Gonzalez, 37 anos, Ribeirão Pires, SP

Há quatro anos eu e meu marido começamos a pesquisar sobre o Irish - o cão gigante. Queríamos comprar, mas não encontramos nenhum aqui no Brasil, então fomos à Alemanha e trouxemos sete filhotes de dois meses cada.

Eles são extremamente dóceis, mas precisam ser adestrados, senão destroem tudo por causa do tamanho. Uma rabada de um deles e já era qualquer objeto pessoal. Não que eles andem soltos pela casa, pelo contrário, ficam no canil, mas de vez em quando eu os deixo entrar só na cozinha.

 
Dois dos gigantes sendo adestrados. Se não forem ensinados, podem ficar meio perigosos, por causa do tamanho

IrishWolfhound2 

Tudo deles é enorme, este por exemplo, é o "potinho" de água.

 

Sabe o que é engraçado? Mesmo grandalhões, eles são ótimos ladrões! Se eu estiver preparando comida na mesa, eles chegam na ponta dos pés e, sem esforço algum, pegam o que for. Eu nem vejo! Apesar do tamanho, eles sabem ser discretos. 

Brincadeiras à parte, não tenho do que reclamar: eles mal latem, no máximo uivam à noite. E só conheço um caso raro dessa raça que ficou bravo, mas foi porque o dono o adestrou para ficar assim. Dava até medo... Ninguém podia chegar perto do portão, o cachorro logo ficava em pé, enorme, e começava a rosnar, babando. Mas é raríssimo, não é da natureza deles. A Lady, uma das minhas fêmeas, está com cinco filhotinhos há 30 dias e é incapaz de rosnar para qualquer um. Eu, inclusive, dou mamadeira a eles três vezes ao dia. Sim, eles mamam também, mas como precisam de muito cálcio eu reforço a alimentação dos bebês.

 

8500 metros para eles correrem 

A linhagem deles é da raça galgo — aqueles cães magrinhos de corrida, sabe?  Por isso eles nem comem tanto quanto aparentam: 1kg de ração por dia já é suficiente. E eu os solto todos os dias, porque eles precisam correr. Nossa propriedade tem 8500 metros, espaço suficiente até para eles.  

Eu e meu marido somos apaixonados por cachorros. A gente sempre se apega aos filhotes e acaba ficando com pelo menos um. Dessa vez vamos ficar com a fêmea da ninhada. Os outros quatro já estão todos vendidos, a R$ 8 mil cada. Além dos sete adultos Irish e dos cinco filhotes, temos dez malteses (que também criamos e vendemos), um fox paulistinha, um chow-chow (aquele da língua roxa) e um fila. 

O Irish tem algumas curiosidades. Primeira: na hora de comprar,  as pessoas não procuram fêmeas nem filhotes, ao contrário do que  acontece com qualquer outra raça. Quem procura essa raça já tem em mente um cachorro grande (logo, querem macho e adulto), e não para procriação. Além disso, o macho não levanta a perna para fazer xixi. Isso é uma maravilha, porque ele não urina na roda do carro. E as fêmeas só entram no cio pela primeira vez com 1 ano — e não aos 6 meses, como as fêmeas de outras raças.

 

 

Além da amamentação, os filhotes têm a alimentação
complementada com uma mamadeira de leite em pó
integral, ovos, mel, óleo vegetal, cálcio e vitaminas.

IrishWolfhound4

De pé, eles chegam até 2,30 metros.

 

Tudo deles tem de ser enorme

A parte mais difícil é que tudo precisa ser proporcional ao tamanho deles. Para transportá-los, carro grande. Eu comprei um Fiat Dobló e tirei os bancos de trás.  Ainda assim, só cabem dois por vez. A cumbuca de água é um caldeirão.  Eu tenho uma cortina feita de saco que serve de maca quando algum deles se machuca e precisa ser carregado. Certa vez perdemos um macho adulto, picado por uma cobra. E, quando morto, o peso dobra, né? Foi preciso chamar cinco homens pra carregá-lo até o lugar onde seria enterrado.

Mas a maior compensação é que é uma raça muito inteligente. Eles entendem tudo que eu falo — juro! Mas temos de tomar cuidado com as brincadeirinhas deles. Eles têm uma mania engraçada: vêm por trás de mim, enfiam o pescoço por entre as minhas pernas e me levantam. Se eu não estiver esperta na hora, o tombo pode ser  bem feio. E quando estão felizes da vida, eles aparecem correndo  e pulam em um de nós. Não dá outra: nos derrubam facilmente. Mas quem resiste ao olhar de desculpa com direito a beijinho? Eu é que não.

Fotos: Cida Souza

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