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A História e a Lenda
São Guinefort era um santo muito incomum, e a sua história é verídica. Na verdade, ele era um Greyhound que viveu na França no século 13. Para o povo, ele era amado e venerado. Para a Igreja, que de início não percebeu que São Guinefort era um cão, ele foi um constrangimento. Apesar dos melhores esforços da igreja para acabar com todas as referências a este cão amado, São Guinefort permaneceu popular por 700 anos, até a década de 1940. O dia de São Guinefort é 22 de Agosto e, embora seja considerado o protetor das crianças, podemos pedir sua proteção para nossos queridos galgos e outros animais. Gelert foi provavelmente um Wolfhound Irlandês, em algumas versões um Deerhound Escocês, pertencente a Llywelyn - o Grande, Príncipe de Gwynedd, no País de Gales do século 12. Na versão dessa lenda celta, embora não seja um cachorro santo, Gelert foi reconhecido como um cão heróico e mártir, e foi sepultado com grande pompa e reverência. Esta história inspirou o poema Beth-Gêlert - O Túmulo de um Greyhound, escrito por William Robert Spencer em 1811, além de muitos outros escritos versando sobre o mesmo tema. Apesar da presença de um túmulo na vila chamada Beddgelert ( Túmulo de Gelert), não há absolutamente nenhuma evidência da existência de um cão com este nome. Dizem que a aldeia foi batizada em homenagem a um santo chamado Kilart ou Celert, e não por causa do cão. A existência do túmulo é atribuída à David Pritchard, proprietário do Hotel Goat, que se aproveitou da lenda para encorajar o turismo na região no final do século XVIII. Conheça mais sobre estes nobres galgos abaixo.
A História de SÃO GUINEFORT Fonte: Maria Paula Ribeiro
 | | Nas suas missões, São Roque e São Cristóvão contaram com a ajuda de cães fiéis, que são mencionados nos textos sagrados, mas a Igreja nunca reconheceu nenhum cão santo.
Isto aconteceu há muito, muito tempo na região de Dombes, perto de Lyon, na França, no século XIII.
Um dia, conta-se, o senhor o castelo de Neuville e sua esposa tiveram de se ausentar por algumas horas, deixando o seu filhinho de poucos meses sozinho no castelo e à guarda do Greyhound do senhor. Eis que uma serpente se introduz no quarto da criança. Ao ver que o réptil se aproximava do berço, o cão, que estava agachado atrás dele, atacou-a. Então deu-se uma luta violenta, com a serpente silvando e o cão ladrando; o menino, acordado pelo barulho, começou a chorar. No ardor da refrega, a criança caiu para baixo do berço, ficando no entanto em perfeito estado. O cão, coberto de feridas e de sangue, matou a serpente e depois continuou de guarda à criança. |
O triste fim de um herói
À última hora da tarde, a ama deu com esta cena e, sem procurar nem ir ver debaixo do berço, desatou a chorar desabaladamente pelo recém-nascido; quando a mãe chegou, fez o mesmo que a ama: pôs-se também a chorar. Nisto, o senhor entra no quarto e, cheio de cólera, mata o cão. Só mais tarde, ao endireitar o berço, é que encontraram o menino, dormindo tranquilamente no meio da desordem. O senhor do castelo não teve de se esforçar nada para reconstruir o drama e reconhecer a coragem e lealdade do seu fiel cão. Guinefort, seu Greyhound, foi enterrado com todo o respeito que merecia a sua proeza. Com o tempo, o castelo caiu em ruína e a natureza recuperou os seus direitos sobre a propriedade, pois assim trabalha a justiça divina. Os camponeses dos arredores habituaram-se então a ir em peregrinação à campa de Guinefort, cujo acesso se mantinha em segredo. Guinefort fez milagres... e converteu-se em São Guinefort em toda a região.
O culto de São Guinefort
O culto de São Guinefort era bastante estranho, como testemunhou Étienne de Bourbon, o frade dominicano que descobriu essas práticas quando era inquisidor na região. Em 1260 fez uma pesquisa, que relata nos seguintes termos:
"Numa aldeia fortificada a uma légua de distância deste lugar, as mulheres, acompanhadas pelos filhos, vão procurar uma velha que lhes ensina a maneira de atuar, fazer oferendas aos demônios e invocá-los, e que as conduz a esse lugar. Quando chegam, oferecem sal e outras coisas; penduram nos ramos os cueiros das crianças e espetam um prego nas árvores que cresceram ali; passam a criança nua por entre os troncos de duas árvores; a mãe, que fica de lado, leva o filho e atira-o nove vezes à velha, que está do outro lado. Enquanto invocam os demônios, conjuram os faunos que existem no bosque de Rimite para que, segundo dizem, apanhem a criança enferma e débil que lhes pertence; e, depois de a levarem, devolvê-la-ão gorda e luzidia, sã e salva. Feito isto, as mães infanticidas recuperam os seus filhos e põem-nos nus junto da árvore, em cima da palha do berço, e com fogo que levaram acendem de cada lado da cabeça duas velas que medem uma polegada, e fixam-nas sobre o tronco. Depois retiram-se até as velas acabarem de se consumir, de modo a não ouvirem os vagidos das crianças, nem as verem. As velas que se consomem desta maneira queimam por completo e matam várias crianças, segundo se conta. Quando as mães tornam para junto dos seus filhos, se os encontram vivos levam-nos até às águas rápidas de um rio próximo, chamado Chalaronne, onde os mergulham nove vezes; se se salvarem e não morrerem ali mesmo logo a seguir, é porque têm umas vísceras muito resistentes."
Evidentemente, Étienne de Bourbon tentou proibir este estranho culto. Mas, tal como demonstra a apaixonante investigação realizada por Jean-Claude Schmitt e descrita no seu livro Le Saint Lévrier, o culto de Guinefort prolongou-se até muito depois do século XIII. Aparece mencionado em 1632, 1826, 1877, 1886, 1902 e mesmo em 1940, quando uma avó se lembrou de ir ao bosque de São Guinefort para conseguir a cura dos seus netos. | Outras versões Mais estranhas ainda são as outras onze versões da história de Guinefort que Jean-Claude Schmitt descobriu na Europa Ocidental e que remontam à mesma época. Em Pavia, São Guinefort era humano e estava crivado de setas como São Sebastião; protegia os homens da peste; a sua festa celebra-se a 22 de Agosto. Em 1082 foi feita à abadia de Cluny uma doação de uma «fazenda de San Guinifortius».
Em 1131, na mesma abadia de Cluny faz-se menção a um altar dedicado a São Guinefort. Em algumas igrejas de Sens, Brujas e outras cidades francesas ainda se celebra o culto de São Guinefort. E até Montargis, famosa pelo seu cão, há no castelo uma capela subterrânea que lhe foi dedicada, não se sabendo se se trata do Greyhound santo de São Guinefort de Pavia. | |  |
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| | O Filme:
Le Moine et la Sorcière - O Monge e a Feiticeira - The Sorceress escrito por Pamela Berger e dirigido por Suzanne Schiffmann - 1987
A trágica história de Guinefort parece terminar com a destruição de seu túmulo, mas o filme francês lhe dá uma nova reviravolta.
A premissa do filme é a seguinte: Em uma vila perto de Lyons, as pessoas veneram São Guinefort, um Greyhound que uma vez salvou uma criança de uma cobra venenosa. Quando um frade dominicano representando a Inquisição da Igreja vem à cidade, ele fica indignado pelo que supõe ser uma zombaria à instituição cristã de santidade. O frade destrói o túmulo do santo cão e corta a árvore que os habitantes acreditavam ter poderes de cura. Mais tarde, porém, ele se arrepende de suas ações.
Como uma espécie de compromisso com os aldeões, o monge constrói uma capela no local da árvore sagrada, e reinventa São Guinefort como um homem santo acompanhado de um cão.
Tradução: Denise Finotti |
A Lenda de GELERT: O Cão Real do País de Gales Fonte: Pedigree Gelert - Charles Burton Barber (1845-1894) | | Uma das vilas mais bonitas do País de Gales é Beddgelert, que fica na junção de três vales, no condado de Gwynedd. Milhares de visitantes de todas as partes do mundo vão para lá todos os anos, mas não é devido aos jardins ornamentais ou pelas atraentes lojas de souvenir. Há uma razão especial para esta vila ser tão popular e tem tudo a ver com um incrível cão real. O cão, Gelert, é uma das maiores lendas do País de Gales e sua estória aquece o coração dos amantes de animais. O nome da vila, Beddgelert, está fortemente ligada a esta estória romântica e se traduz literalmente como "o Túmulo de Gelert", o nome do leal cão do príncipe Llywelyn, que reinou esta parte do País de Gales muitos séculos atrás. |
Gelert nasceu no castelo do rei João da Inglaterra, que reinou entre 1199 e 1216, e quando a filha do rei se casou com o príncipe Llywelyn, o filhote foi dado a eles como presente de casamento. Gelert cresceu e se tornou um cão de caça corajoso e conhecido por sua lealdade. Com o passar do tempo, Llywelyn ficou cada vez mais apegado ao cão e Gelert era sempre visto ao seu lado. Em um curto período de tempo Gelert foi nomeado líder da matilha de cães do príncipe, pois não havia outro que tivesse a sua persistência e força. Cerca de um ano mais tarde, a esposa do príncipe deu a luz a um lindo garoto. Gelert se encantou com o bebê e ficava noite e dia ao lado do berço. Ele recusou-se a ir caçar com o príncipe um dia e parecia preferir ficar guardando o bebê enquanto ele dormia no berço. Embora Llywelyn sentisse muito a falta do animal, entendia que o cão precisava proteger a família e por isso não forçou Gelert a acompanhá-lo. Llywelyn sabia que no final do dia Gelert sempre estaria esperando no portão do castelo pelo retorno do seu senhor. Um dia Llywelyn voltou para casa e encontrou seu fiel cão no portão. Ao se aproximar, ficou horrorizado em ver sangue no focinho e corpo de Gelert. O príncipe correu para dentro do castelo e para o quarto de seu filho. Não havia sinal do bebê, mas o berço estava virado e as cobertas da criança estavam caídas no chão, encharcadas de sangue. O príncipe ficou com o coração partido e concluiu precipitadamente que Gelert, com ciúmes, matara o bebê enquanto estava caçando. Em um ataque de raiva, Llywelyn sacou sua espada e matou Gelert. Mas quando Llywelyn caiu de joelhos chorando, seus gritos foram respondidos pelo choro do bebê. Llywelyn endireitou o berço e encontrou seu filho embaixo dele. O bebê não tinha sofrido mal algum e estava dormindo tranqüilamente dentro do emaranhado de cobertas no chão. Enquanto o príncipe colocava seu filho no berço pode ver a cauda de um animal embaixo de um dos cobertores. Lá estava o corpo de um grande lobo que havia sido morto por Gelert enquanto tentava atacar o bebê dentro do berço. A estória conta os remorsos do príncipe. Tentando mostrar ao mundo o quão orgulhoso era de seu leal Gelert, enterrou-o nos arredores do castelo e deu-lhe um enterro digno de um rei, mas ainda assim continuou a ouvir o último ganido do cão. Depois desse dia Llywelyn nunca mais sorriu novamente É dito que o príncipe e seu filho visitavam o local freqüentemente e que este ordenou que o local fosse conhecido como Beddgelert, em memória a seu amado cão.
Embora pareça uma estória triste, a lenda do corajoso Gelert tem lugar nos corações de gerações de amantes de cães ao redor do mundo. Ela continua sendo uma maravilhosa estória que toca os corações das milhares de pessoas que visitam o local.
E a lealdade de Gelert, o verdadeiro cão real do País de Gales, vive nos corações de muitos. | |  Túmulo de Gelert - Beddgelert |
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