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Os Jóqueis dos Greyhounds PDF Imprimir E-mail

A moda de macacos como jóqueis em corridas de Greyhounds começou em 1930 em Palm Beach, na Florida, Estados Unidos. O conceito foi originalmente concebido pelo casal Loretta e Charlie David, que adquiriu 12 macacos-prego e por 2 anos treinou-os para montar Greyhounds em selas especiais. A mania continuou nos Estados Unidos até o final dos anos 30 antes de perder o interesse do público.

O planejamento

Loretta e Charlie David obtiveram 12 macacos-prego filhotes do Panamá e colocaram cada um deles com um de seus 12 filhotes de Greyhounds. Eles escolheram as fêmeas por serem mais leves. O casal esperou pacientemente que o processo de afeição entre os macacos e os Greyounds tomasse seu curso, o que demorou em torno de dois anos. Não foi uma tarefa fácil de realizar e houve muitos problemas, mas um laço de afeição começou se formar entre os macacos e os seus parceiros caninos.
 
O treinamento começa

Com cada macaco afeiçoado ao seu cão, muitas horas de treinamento se seguiram. Doze selas minúsculas, feitas sob medida e costuradas à mão foram importados da Itália. Estas foram criadas no melhor couro macio, perfeito até o último detalhe e incluiam até estribos em miniatura. As roupas de seda dos macacos foram feitas nos EUA e estas também eram versões diminutas das roupas dos jóqueis. Cada macaco tinha jaqueta com sua cor própria,  boné, calças de montaria e botas. Chicotes não eram usados, mas os pequenos e inteligentes jóqueis logo aprenderam a improvisar usando as próprias caudas, de aproximadamente 55 cm. Para ganhar uma corrida apertada, eles não hesitavam em bater na garupa do seu Greyhound, a fim de espremer cada última gota de velocidade de suas montarias caninas.

Correndo por Amendoins

Loretta David disse na época: "Descobrimos que os macacos eram quase humanos. Eles eram muito inteligentes e o espírito competitivo durante a corrida era realmente incrível. Cada um deles queria desesperadamente que seu Greyhound ganhasse, a fim de receber o prêmio."  E qual era o prêmio para o jockey vencedor? Nada mais do que uma humilde xícara de amendoins.

 

Macacos-joqueis dos anos 30

  

Macacos-joquei em Sidnei, Australia
Sidnei - Australia

 

Um dos problemas enfrentados por Loretta e Charlie era a vontade dos macacos em ganhar, não importava o que custasse. A competição na pista era extremamente feroz e não era incomum (durante as sessões de treinamento) que um macaco se inclinasse na sua sela para interferir na corrida dos seus rivais, segurando e até rasgando a roupa do outro macaco, ou pulando no outro Greyhound para segurá-lo. Charlie resolveu este problema  prendendo cada macaco com uma cinta especialmente desenhada para este fim, o que permitia certa liberdade de movimento (ainda podiam usar suas caudas como chicotes), mas inibia qualquer comportamento indesejável. Infelizmente, isso tinha o seu lado negativo no caso de algum Greyhound levar um tombo durante uma corrida: o macaco, incapaz de escapar da sela, era forçado a cair junto com o cão e, portanto, as lesões eram inevitáveis.

 

"Apesar dos acidentes ocasionais todos eles gostavam de correr", disse Loretta. "Parecia natural para os macacos. Quando Charlie e eu começávamos a desempacotar as suas roupas de corrida eles sabiam exatamente o que estava prestes a acontecer,  e guinchavam de ansiedade. Todos queriam ganhar a taça de amendoins e ficavam muito impacientes para começar a corrida."

   
Rivalidade

Não há dúvida da grande rivalidade entre estes pequenos jóqueis, que certamente manifestava-se quando um macaco (por doença ou lesão) era substituído por outro. Nem o macaco nem o Greyhound gostavam de trocar de parceiros, e essa antipatia mútua ficava evidente durante a corrida. Ambos  demostravam seu descontentamento com a falta de vontade de ganhar. Ao  término da corrida, o macaco substituto imediatamente corria para o canil  e procurava o seu  Greyhound. O macaco ferido que havia sido deixado de fora da corrida também mostrava seu desagrado, e Charlie e Loretta descobriram que tinham pequenos macacos petulantes, mal-humorados e irritáveis quando perdiam uma corrida.

Um enorme sucesso


Os macacos tinham sempre o melhor atendimento e raramente ficavam doentes. Estes macacos viajavam através dos Estados Unidos em caixas na parte traseira do carro de Loretta e de Charlie, enquanto os Greyhounds eram  rebocados em um trailer. Toda noite era noite de corrida para o casal. Uma cidade diferente, uma pista diferente - tamanha a demanda do público em 1930. As pessoas vinham de longe para ver os pequenos jóqueis multi-coloridos. Durante o período de corridas nem Loretta nem Charlie sabiam dizer qual seria o resultado.  "Com os macacos-jóqueis, tudo pode acontecer e o resultado é sempre imprevisível", disse Charlie na época.

A cortina final

O casal continuou a fazer turnês pelos  EUA durante vários anos até que a novidade ficou desgastada, a multidão diminuiu,  e Charlie e Loretta caíram na obscuridade. As corridas de cães com macacos-jóqueis tinha perdido seu apelo e temos certeza de que todos os grupos de bem-estar animal devem estar satisfeitos.

A Austrália tentou continuar de onde os Davids haviam  parado e estendeu a idéia usando obstáculos e saltos na água. O México também tentou um revival na década de 1950, mas ambos foram de curta duração. Também encontramos fotos de corridas com macacos como jóqueis na China. Acreditamos que um elemento de crueldade estava envolvido mas, no entanto, Charlie e Loretta fazem parte da história dos Greyhounds.

   
   

Macaco-joquei e Greyhound 1935

 

Macaco-joquei e Greyhound

Sela do Macaco-joquei

 

 

Macacos-joqueis em Xangai 1939
Xangai - China

   

 

Fonte


Tradução e compilação: Denise Finotti

 

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