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Anima corta com canídromo
03/04/2012 l Ponto Final Macau l Sonia Nunes
Albano Martins anulou as negociações com a Yat Yuen para o programa de adoção de cães de corrida após a vida ativa. A empresa falhou a entrega do primeiro galgo, acordada para ontem.

 A Anima – Sociedade Protetora dos Animais de Macau - suspendeu o acordo com a Companhia de Corrida de Galgos de Macau Yat Yuen, que explora o Canídromo, para a adoção de cães após a vida ativa. A decisão foi tomada depois de a empresa ter falhado a libertação do primeiro animal. A entrega, segundo a associação, estava prevista para ontem e foi acordada entre as duas partes, no final da semana passada.

“Deram o dito por não dito. A Anima não quer ter mais qualquer tipo de conversações com quem não está de boa-fé e não honra os seus compromissos”, afirma o presidente da associação, Albano Martins, para justificar a decisão de quebrar os contatos com a Yat Yuen. “Não há hipótese de mais negociações com a Anima. A não ser que haja uma mudança de gestão ou o Governo nos consiga convencer que o Canídromo vai ter outra atitude, ser honesto e responsável”, garante. No sábado, a associação protetora dos animais anunciou o arranque de um programa de doação externa de galgos afastados das pistas de corrida, que seria oficializado ontem com a entrega de um cão inativo à Anima. “A sugestão partiu do próprio Canídromo, como um sinal de boa-vontade”, diz Albano. A Yat Yuen tem estado sob fogo da comunidade internacional pelo número de abates que decreta por ano: em média, são mortos 400 galgos, por injeção letal.

Dias após o acordo estabelecido com a Anima, Albano Martins diz ter sido informado pelo Canídromo de que, “afinal, nada estava escrito, não havia ainda uma decisão da administração, que teriam ainda de falar com os donos dos animais e que os cães, provavelmente, só poderiam ser libertados daqui a três semanas. A leitura que se pode fazer é que eles não têm cães inativos, são abatidos”, lamenta.

As negociações entre a associação e a Yat Yuen foram mediadas pela Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos (DICJ). Ao PONTO FINAL, Joaquim Manuel das Neves, que dirige o organismo, disse não estar a par do alegado incumprimento do Canídromo em relação à Anima. “Nós servimos apenas de intermediários. Tenho a ideia de que as conversações estavam no bom caminho, mas o que foi acordado ficou entre as partes”, adita Manuel das Neves, que ressalva que a matéria não é da competência directa da DICJ.

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais é a entidade do Governo responsável pela fiscalização do Canídromo. A 20 de Fevereiro, o PONTO FINAL questionou, por escrito, o organismo sobre os abates de galgos e os apelos internacionais ao fim das corridas, mas até ao fecho desta edição não obteve resposta, apesar das sucessivas tentativas. Também não foi possível entrar em contacto com a Yat Yuen, que chegou a afirmar que a lei de Macau não permite a adoção de antigos cães de corrida.

“É de esperar novas pressões das organizações internacionais”, antecipa Albano Martins. Em Julho do ano passado, começou a correr uma petição online, dirigida ao Chefe do Executico, Chui Sai On, contra as corridas de galgos em Macau.

O pedido foi feito depois de uma reportagem do South China Morning Post ter revisto em alta o número de abates na pista para mais do que um por dia e de a Fundação para os Animais da Ásia ter pedido ao Governo da Austrália para deixar de exportar galgos para Macau. Em média, um galgo pode viver entre dez a 13 anos. Segundo o jornal de Hong Kong, o abate é decidido se um cão ficar excluído dos três primeiros lugares, por cinco vezes consecutivas. Há corridas quatro vezes por semana.




Lobby americano não desiste dos galgos
05/04/2012 l Ponto Final Macau l Alexandra Lages
A luta pelos direitos dos galgos que correm todas as semanas no Canídromo de Macau ainda não acabou. Após um acordo falhado com a Anima, a GREY2K USA contra-ataca. Chui Sai On vai receber nova petição

A organização norte-americana Grey2K USA, que desde 2001 trabalha pela extinção das corridas de greyhounds, não baixou os braços e vai continuar a lutar contra o abate massivo dos animais de competição em Macau. A associação lançou uma nova recolha de assinaturas que desta vez vão ser enviadas ao Chefe do Executivo.

Num comunicado divulgado ontem, a presidente da organização Christine Dorchak anunciou que recebeu a informação de que o Canídromo de Macau, o único na China autorizado a explorar corridas de cães, não cumpriu o acordo feito com a Anima – Sociedade Protetora dos Animais de Macau para adoção de cães após estes serem considerados inaptos para correr.

“Foi ótimo ouvir estas notícias que chegaram cinco meses depois de termos iniciado a nossa campanha ‘Salvem o Brooklyn’. Pela primeira vez, o primeiro cão a sair vivo do Canídromo era suposto ser enviado para a organização Anima na segunda-feira de manhã. Contudo, na noite do mesmo dia, Albano Martins da Anima anunciou que as negociações foram anuladas porque nenhum cão foi enviado para as instalações da associação”, pode ler-se no comunicado.

  

Apesar deste incidente, a Grey2K defende que “é preciso redobrar esforços para salvar o Brooklyn e todos os galgos que estão no Canídromo. Temos recebido informações de que 30 galgos são abatidos todos os meses nestas instalações, enquanto outros morrem durante as corridas”, diz a presidente da associação.

A nova petição tem o objetivo de apelar ao Chefe do Executivo para “obrigar o Canídromo a cumprir o acordo e começar a libertar os galgos para adopção”. A associação também incentiva os interessados a enviarem cartas directamente a Chui Sai On.

A campanha ‘Salvem o Brooklyn’ começou no final do ano passado após uma visita de uma representante da Grey2K USA a Macau que resultou numa parceria com a Anima. A organização norte-americana seleccionou um dos cães do Canídromo e lançou uma campanha para convencer a Companhia de Corrida de Galgos de Macau Yat Yuen a permitir que Brooklyn fosse adoptado após se reformar das corridas.

A Grey2K estabeleceu ainda um acordo com uma organização australiana que tem um programa de adopção de galgos, a Greyhound Rescue. Esta associação disponibilizou-se para receber o animal e arcar com todas as despesas necessárias para o transporte deste para a Austrália.

A campanha cresceu, ganhou maior expressão a nível internacional e foi estabelecido o objectivo de pressionar o Governo australiano a acabar com a exportação de galgos para Macau. Mas parece que a luta é cada vez mais longa e árdua.

Dados revelados pelo jornal South China Morning Post apontam que em média 400 galgos são abatidos anualmente por injecção letal. No ano passado, em Julho, começou a correr uma petição online lançada pela Fundação para os Animais da Ásia, dirigida ao Chefe do Executivo, contra as corridas de cães em Macau.

Pela primeira vez, a empresa que explora o Canídromo deu uma resposta a todos os apelos e sugeriu à Anima iniciar um programa de doação externa de galgos considerados inaptos para correr. No dia combinado, a Yat Yuen não cumpriu o prometido e a Anima anulou o acordo.

“Deram o dito pelo não dito”, disse o presidente da associação, Albano Martins, em declarações ao PONTO FINAL. “A Anima não quer mais qualquer tipo de conversações com quem não está de boa-fé e não honra os seus compromissos”, sustentou.

Albano Martins rejeita a hipótese de mais negociações com a empresa, “a não ser que haja uma mudança de gestão” ou o governo consiga convencer a Anima que o Canídromo “vai ter outra atitude, ser honesto e responsável”.

 

 

Governo propôs adoções de galgos no ano passado
05/04/2012 l Ponto Final

O programa de adoção de galgos retirados do ativo já tinha sido sugerido pelo Governo à Companhia Corridas de Galgos de Macau, que explora o Canídromo, no ano passado. Desde a recomendação, passaram-se meses até ser acordada a entrega de animais à Anima – Sociedade Protetora dos Animais de Macau. Entrega essa que não aconteceu: segundo a Anima, o primeiro cão deveria ter sido libertado na segunda-feira mas o Canídromo falhou o compromisso.

“No ano passado, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM]) enviou um ofício à Companhia Corridas de Galgos de Macau, solicitando-lhe que se apressasse a assegurar os trabalhos, conducentes à manutenção do bem-estar dos animais”, explicou o organismo público ao PONTO FINAL, mais de um mês após ser questionado sobre este assunto.

O IACM especifica a natureza dessa recomendação: “Sugeriu-lhe que tomasse como referência a prática seguida em outros países, quanto ao dispor dos galgos retirados do serviço, pela indústria de corrida de cães, inclusive a formação específica a dar a esses galgos uma vez retirados, visando a sua adoção por pessoas locais ou estrangeiras”. O IACM disponibilizou-se, ainda, a “proporcionar-lhes informações sobre eventuais contatos a estabelecer com instituições que adotam galgos já retirados do serviço”. Estas instituições, diz o organismo, poderiam ser de fora de Macau.

Várias organizações internacionais de defesa dos animais têm pressionado o Governo de Macau para que o Canídromo liberte animais para adoção, evitando  que sejam abatidos depois de serem retirados das pistas.

Os galgos podem viver entre dez a 13 anos mas tendem a ser considerados inaptos para competir antes de completarem cinco anos de idade, por apresentarem ferimentos ou simplesmente por não ficarem entre os três primeiros lugares de uma corrida por cinco vezes consecutivas.

Uma petição chegou mesmo a ser endereçada ao Chefe do Executivo, questionando a Administração local sobre os alegados maus-tratos aos animais e más condições das instalações do Canídromo (acusações levantadas após uma investigação do jornal South China Morning Post). No entanto, o PONTO FINAL não conseguiu obter qualquer resposta do Governo acerca desta petição, que pedia mesmo o encerramento do espaço.

O IACM garante que, de acordo com uma inspeção, e ao contrário do que afirmou o jornal de Hong Kong, “os galgos existentes no Canídromo encontravam-se em bom estado de saúde e nenhum cão apresentava ferimentos graves”.

Quanto à qualidade das instalações, o Governo diz também não ter encontrado nenhuma irregularidade: “Os alojamentos destinados aos cães e outros conexos equipamentos, têm boas condições de higiene, para além de haver suficiente pessoal a tomar conta deles. Até agora, o IACM não verificou nenhum caso de maus tratos infligidos aos animais”. O organismo acrescentou ainda que, antes de correrem, os cães são fiscalizados pela Direção de Inspecção e Coordenação de Jogos. I.S.G.

Cinco mil contra o canídromo
18/07/2011 l Ponto Final Macau

Está correndo uma petição online contra as corridas de cães em Macau. O texto é dirigido ao Governo da RAEM e subscrito por várias associações internacionais de proteção dos direitos dos animais.

Mais de cinco mil pessoas assinaram uma petição online que exige o fim das corridas de galgos em Macau. Por ano, são mortos cerca de 400 cães no Canídromo. O abaixo-assinado, dirigido ao Executivo de Chui Sai On, surge na sequência de uma reportagem do South China Morning Post (SCMP), publicada no mês passado, que reviu em alta o número de abates na pista para mais do que um por dia.

Também no mês passado, a Fundação para os Animais da Ásia – com o apoio da Sociedade de Prevenção da Crueldade Contra os Animais de Hong Kong e de mais 24 associações homólogas da China, que temem que o desporto seja legalizado no Continente – manifestou-se contra a política de abate do Canídromo. O grupo endereçou uma petição à primeira-ministra australiana Julia Gillard a exigir que o país deixe de exportar galgos para Macau.

Ao documento, noticiou ontem o SCMP, junta-se agora outro abaixo-assinado em que os peticionários pedem o fim do desporto de apostas praticado no Canídromo. O texto está a circular entre as associações de proteção dos direitos dos animais e o grupo Grey2K USA (que é contra as corridas de galgos e participou na elaboração de uma proposta de lei para travar o desporto na ilha de Guam) e somava ontem 5290 assinaturas.

“Enquanto as corridas de cães continuarem, os galgos vão sofrer. Por favor, ajude a pôr um fim nesta terrível crueldade em Macau”, exorta-se na petição. De acordo com o SCMP, a causa tem o apoio de centenas de pessoas de todo o mundo, que tanto descrevem o desporto como “uma vergonha para Macau” como perguntam “Macau está cheia de cassinos. Porque é que precisam de apostar em cães também?”.

“Estamos muito satisfeitos com esta resposta [à petição online], uma vez que mostra os bons sentimentos de pessoas de todo o mundo por estes cães inocentes, cujas vidas são interrompidas pelo preço de uma aposta”, afirmou Helen Stevens, da representação do grupo britânico Greyhound Crusaders. A organização diz ter já escrito por duas vezes à empresa que explora o Canídromo a pedir o fechamento das pistas de corrida. Não houve resposta: “Podemos apenas concluir que para eles é apenas um negócio. Mas, enquanto os galgos estão a morrer todas as semanas, há pessoas preocupadas que fazem tudo o que podem para ajudar estes cães”.

Também Sandy Macalister, diretora executiva da Sociedade de Prevenção da Crueldade Contra os Animais de Hong Kong, diz que a reação da comunidade internacional à petição incentiva as ações de campanha contra o Canídromo, mas destaca que o problema só será resolvido se a exportação de galgos da Austrália para Macau cessar.

 

Pela Vida Além das Corridas
07/06/2011 l Ponto Final Macau l Sônia Nunes
Várias associações de animais pediram ao Governo australiano para deixar de exportar galgos para Macau. A Anima diz-se mais pragmática e propõe que seja obrigatório devolver os cães aos países de origem. Há cerca de 400 abates no Canídromo por ano.

Corrida Contra o Abate

Um grupo de associações de defesa dos animais escreveu à primeira ministra australiana pedindo o fim das exportações de Galgos para o canídromo de Macau. A Anima apoia, mas diz que é mais viável exigir que os cães regressem ao país de origem quando deixarem de competir. Só no ano passado foram abatidos 303. 

  

Um grupo de associações de defesa dos animais entregou uma carta ao Governo australiano em que pede o fim da exportação de Galgos para o Canídromo. O movimento condena o abate dos cães que deixam de correr na pista – por ano são mortos cerca de 400. A Anima – Sociedade Protetora dos Animais de Macau apoia a iniciativa, mas teme que não seja viável. É feita uma contra-proposta: que os empresários sejam obrigados a negociar também o regresso dos canídeos aos países de origem.

Os números foram atualizados ontem pelo South China Morning Post (SCMP). Segundo o jornal, a Companhia de Corrida de Galgos de Macau – Yat Yuen, que gere o Canídromo, decretou a morte por injecção letal a 383 cães importados da Austrália.

Só em Março foram abatidos 45 animais, a maior parte deles saudáveis e com menos de cinco anos – em média, um Galgo pode viver entre dez a 13 anos.

   
A Yat Yuen diz que a lei de Macau não autoriza que os cães reformados das pistas de corrida sejam adotados como animais de estimação. Ainda de acordo com o SCMP, o abate é decidido se um Galgo ficar excluído dos três primeiros lugares, por cinco vezes consecutivas. Os canídeos competem quatro noites por semana.

A Fundação para os Animais da Ásia – com o apoio da Sociedade de Prevenção da Crueldade Contra os Animais de Hong Kong e de mais 23 associações homólogas da China – está contra a política de abate do Canídromo e reagiu. O grupo escreveu uma carta à primeira-ministra australiana Julia Gillard a exigir que o país deixe de exportar Galgos para Macau.

“Tudo o que possa ser feito para proteger os animais tem o nosso apoio. Mas não acreditamos que seja possível parar a exportação de Galgos. Seria acabar com as corridas e, numa economia de mercado, é muito complicado impedir um negócio”, destaca Albano Martins, presidente da comissão executiva da Anima. A associação também está “contra a utilização de animais para quaisquer fins, sobretudo tendo em conta o tratamento dado após a sua reforma”. Mas diz assumir uma postura “pragmática”.

Negociar o regresso

Em resposta à petição entregue a Julia Gillard, a Anima propõe uma solução de compromisso, a ser acordada entre quem vende e compra galgos. “Os exportadores, por imposição do Governo, deviam definir logo nas cláusulas contratuais com a empresa exploradora do Canídromo o regresso ao país de origem dos animais após a vida activa”, contrapõe Albano Martins. “É mais fácil do que impedir a exportação, mais simples e realista”, compara.

Há espaço para os galgos dispensados das corridas serem adotados em Macau? “Não há condições. Nos países de origem há leis próprias para defender os direitos dos animais, nós não temos. Macau é o pior sítio para eles ficarem: não há uma legislação que os proteja”, aponta Albano Martins. O economista destaca que também o Canil Municipal “está preocupado com a situação” – chegaram a ser estabelecidos contactos com a Anima para ver se seria possível recolher os galgos retirados da competição.

“Onde é que vamos ficar com eles? Não temos capacidade. Não temos espaço. Além disso, sem uma legislação, não podemos fazer quase nada cá”, diz Albano Martins. “Mesmo em relação a outro tipo de animais, não conseguimos fazer com sejam adoptados. Achávamos que iríamos conseguir seis adoções por mês, mas foram apenas 12 até Maio”, refere.

A Anima dá apoio a mais de 200 animais – no abrigo estão 184 cães e 50 gatos – e recebe já um apoio do Governo de 1,5 milhões de patacas. “É insuficiente. Mal dá para pagar os salários”, indica o economista. Mas o grande cavalo de batalha da associação (e de Albano Martins) é a redação de um diploma legal que assegure a proteção dos animais.

Ainda em 2007, a Anima apresentou uma proposta ao Governo e mostrou-se disponível para gizar uma regulamentação que abranja criadores, veterinários e donos. “Não vale a pena. Em Macau não há agenda para os animais”, lamenta Albano Martins. “Uma vez que entram em Macau, não conseguimos fazer quase nada por eles, apesar de estamos há cinco anos a lutar pela protecção legal dos animais”.

A Anima conseguiu, no entanto, baixar os custos de licenciamento de animais de estimação de 500 para 200 patacas. A medida contribuiu para que mais cães recebessem a vacina anti-rábica: no ano passado foram cerca de 5500; em 2009 contaram-se pouco mais de dois mil.

 

Mais Veloz que o Leopardo
02/07/2008 - Hoje Macau - Luciana Leitão
Todos os meses chegam 40 galgos ao Canídromo


Dez galgos vindos diretamente da Austrália
acabam de chegar às instalações do Canídromo. Cada um está na sua caixa. Ouvem-se latidos sumidos e vêem-se os focinhos pelo respiradouro. Quando o treinador abre a caixa, o galgo sai ainda meio tonto, depois de ter estado enclausurado durante horas. Alguns têm as pernas dormentes e, até endireitarem o passo, ainda dão uns encontrões. Cada mês chega uma nova remessa. Todos os animais que correm no Canídromo são galgos vindos da Austrália. Que condições e a que treino são sujeitos estes animais foi o que o Hoje Macau quis saber.

Assim que chegam ao Canídromo, os galgos são colocados num canil “destinado exclusivamente aos cães que estão em fase de treino”, diz o treinador Wong Iutong. Cada um é fechado na sua própria jaula, tendo espaço “suficiente” para dormir e estender as pernas. A ventoinha está ligada durante toda a tarde nos meses de Verão, podendo também estar a funcionar nos restantes meses do ano. Se estiver calor, claro.

Os animais têm primeiro de se habituar “à diferença de clima entre a Austrália e Macau”. Por isso, até que possam se juntar aos outros cães, são sujeitos a treino intensivo especial composto de massagens, natação e vários exercícios físicos. A maioria dos animais permanece num dos canis normais. Cada um tem direito à sua própria jaula. Permanecem ali durante todo o dia. “Temos 11 canis – dez são os canis normais e um destina-se especialmente aos cães que acabaram de chegar”, explica Peter Leong. Uma coisa em comum em relação a todos estes animais: a alimentação é sempre à base de “carne de canguru”, diz o gerente dos canis.

No total, o Canídromo, de momento, conta com “perto de 780 galgos”, acrescenta. Considerado com uma espécie veloz, o galgo é a opção natural para participar em corridas. “Parecem detetives, são espertos”, diz rindo. “O galgo é mais rápido do que o leopardo”, acrescenta. E os apostadores querem ver cães velozes e vencedores. “São animais caçadores e correm muito para alcançar a caça”, declara Wong Iutong.

Os efeitos colaterais

A maioria dos cães tem 24 meses quando chega ao Canídromo. “Correm até ter mais de 60 meses. Depois já estão velhos para correr”, diz Wong. “Não podemos mantê-los aqui. São enviados para o Governo”, explica Peter. E mais não diz sobre o destino dos animais. Claro que podem parar de correr antes mesmo dessa altura, se ficarem gravemente feridos. Algo que não é assim tão invulgar, dada a velocidade que atingem quando estão a participar numa corrida. Podem também “ferir-se”, em consequência de “lutas com outros animais” nos exercícios matinais. “Têm de ser tratados pelo veterinário”, diz.

O dia começa cedo. Logo às 7h30, os treinadores acordam para levar os galgos a passear, dar-lhes massagens, fazer o exame médico e levá-los a praticar exercícios. O treino termina às 10h30. “Tem de ser a essa hora – os animais estão habituados ao clima da Austrália, não suportam bem o calor”, explica Wong. Aliás, dada a diferença climática, notam-se, frequentemente, algumas falhas no pêlo dos animais. Em função do calor, surgem também doenças como “diarréia e parasitas”. São, principalmente, questões de foro intestinal que afetam a saúde dos galgos.

Todos os meses chegam, em média, “40 novos cães da Austrália”. Nas primeiras duas semanas, ficam no canil que lhes é especialmente destinado – não se misturam com os animais que já estão há mais tempo e que já correm, mas depois estão prontos a ser leiloados.
“Aos domingos ocorre um leilão. As pessoas vêm, escolhem os cães e aquele que der a maior oferta fica com o galgo. Os animais permanecem nas instalações do Canídromo mas depois, quando correm, os donos recebem uma percentagem em função do seu resultado”, explica Wong.

Os funcionários

Entre treinadores, veterinários, trabalhadores braçais e chefias, contam-se 98 funcionários do Canídromo. Wong Iutong, por exemplo, trabalha como treinador de cães há já 40 anos. Natural de Hong Kong, aprendeu o ofício com os treinadores de então que eram, na maioria, australianos. Hoje em dia, já não é assistente, mas sim treinador. E gosta do que faz. No total, contam-se “11 treinadores no Canídromo”.

“Nessa altura (quando os australianos ali trabalhavam), eu estabelecia a comunicação entre os treinadores e os trabalhadores chineses, de forma a que tudo corresse sob rodas”, explica Peter Leong. Hoje em dia, todos os treinadores são chineses e isso “deixou de ser necessário”.
Quanto aos apostadores, “a maioria das pessoas que vem aqui é de Hong Kong – de Macau também há muitos”, diz Wong Iutong. “É uma tradição chinesa – jogar está no sangue”, declara. “Como os ocidentais gostam de dançar, os chineses gostam de jogar”, acrescenta rindo. Também frequentado pelos cidadãos do Continente, o grosso das apostas não é deles. “Apostam sempre pouco dinheiro”, diz Peter Leong.
Nem a grande concorrência dos cassinos tem diminuído o negócio. Aliás, pelo contrário. Antes, as corridas realizavam-se apenas duas vezes por semana. Com a crescente procura, passaram a realizar-se quatro vezes por semana. E envolvem sempre seis cães. “Se fossem mais, tornava-se difícil apostar”, relata Wong.

 

Vida de Cão
02/07/2008 - Hoje Macau - Luciana Leitão
Corridas do Canídromo de Macau realizam-se quatro vezes por semana. Entre o público encontram-se, na
maior parte, apostadores que já o fazem quase “profissionalmente”. Pelo meio, ainda se vislumbram meros curiosos, cujo único intuito é o de ver os cães.

Primeiro caminham. Lentamente. Soa o sinal e lá vão eles - seis galgos que perseguem, cegamente, uma lebre de peluche. Velozes. Implacáveis. Os melhores destacam-se e chegam, em primeiro lugar, à meta. Da parte do público, um único interesse: assistir ao milagre da multiplicação das patacas. Quanto termina a corrida, há quem suspire, há quem desista e ainda há aqueles que dão gritos de alegria. Assim são as noites de segunda, quinta, sábado e domingo no Canídromo. O Hoje Macau esteve lá, numa dessas noites, e procurou perceber quem são os apostadores.

Antes de entrarem na pista, os galgos aguardam a inspecção. Um dos veterinários de serviço fiscaliza a marca que o cão tem na orelha – um sinal identificativo - só para confirmar que não houve engano na escolha dos animais que vão correr, certificando-se ainda de que aquele galgo está saudável e pronto para lutar pela vitória. Passando a inspecção, acompanhados dos treinadores, os animais dirigem-se para a pista. E começam a caminhar lentamente até chegar ao local de partida.

galgos. Algumas pessoas começam, inclusivamente, a acelerar o passo só para acompanhar o “seu vencedor”. E só param quando os cães se começam a colocar nas suas posições. Outras limitam-se a olhar para o folheto onde vêm indicados os montantes que se podem apostar acompanhados de uma pequena descrição dos animais da corrida. Há quem tire fotos para assinalar o momento. Poucas são as pessoas queO ambiente é tenso. E os olhos de quem está a assistir acompanham, atentamente, todos os passos dos continuam a conversar, desprendidamente, enquanto estão a ter lugar os preparativos. O recinto é um espaço enorme. No exterior, situa-se a pista de corrida de areia. Normalmente, quem assiste fá-lo sentado nas cadeiras do estádio. Mas há quem também se concentre nos espaços internos, onde estão situados os balcões de aposta, preferindo assistir à corrida através das câmaras espalhadas pelo recinto.

Os apostadores

É fácil detectar os residentes de Macau e de Hong Kong – são os mais compenetrados, sempre agarrados à folha das apostas. E, regra geral, respondem, enfastiados por ser incomodados, com um rotundo não a um pedido de entrevista. No meio de tantas recusas, uma exceção. “Já cá venho há 40 anos, desde a minha juventude”, conta um residente de Hong Kong. Mora no território vizinho, mas desloca-se frequentemente a Macau para apostar nas corridas de cães. Raramente ganha uma grande quantia de dinheiro, mas nem assim se desmotiva. “Às vezes ganho, mas a maior parte das vezes perco dinheiro”, diz rindo.

A sua escolha normalmente tem em conta os valores do ecrã de apostas, de forma a poder averiguar o desempenho dos cães. Além disso, também dá ouvidos às “dicas dos treinadores”, declara o septuagenário. Pela primeira vez no Canídromo estava um jovem casal de taiwaneses. “Viemos só mesmo para nos divertirmos”, conta Cindy, de 22 anos. Numa curta visita a Macau, resolveram conhecer o Canídromo. Apostaram dez patacas no galgo nº5 e no nº3, mas não ganharam nada. Mesmo assim, foi “divertido”, afirma.

Também estreante, estava um casal de cidadãos de Singapura. “É a primeira vez em Macau e no Canídromo”, conta a jovem. Vieram apenas “porque gostam de cães”. Ela nada apostou, mas ele sim e ainda ganhou 100 patacas. Sissy, de 21 anos, natural de Hong Kong, também está pela primeira vez no Canídromo. “Não apostei nada. Não gosto de jogar”, confessa. Resolveu apenas acompanhar o amigo, que é de Macau, e conhecer um espaço que, para ela, era uma incógnita. E, claro, ver os cães.

O espaço

Situado na Zona Norte da cidade, o Canídromo é a única infra-estrutura do genero que se poderá encontrar no continente asiático. O que o torna único é a sua pista de corrida oval, as duas tribunas, as várias boxes privadas, a tribuna VIP e o coffee shop.

As corridas disputam-se quatro vezes por semana, às terças, quintas, sábados e domingos, com mais de trezentos cães em competição em cada um dos dias. As corridas são transmitidas em direto pela rádio e televisão a partir de estúdios localizados no complexo. O preço de entrada normal é de duas patacas, enquanto o acesso à tribuna de sócios custa cinco patacas.

Quanto aos galgos, são considerados uma das espécies de animais mais rápidas do planeta. Branco, preto, castanho, cinzento, vermelho são apenas algumas das suas cores. Os machos medem, normalmente, entre 71 e 76 centímetros e pesam entre 27 e 40 quilogramas. Já as fêmeas são mais pequenas, medindo entre 68 e 71 centímetros, e pesando entre 27 e 34 quilogramas. Apesar de serem rápidos e atléticos, não são considerados cães com uma grande energia, nem precisam de grandes doses de exercício. O galgo é considerado um animal dócil. Os galgos são normalmente criados para as corridas. Contudo, a idade da “reforma” chega cedo. E alguns, depois de “reformados”, têm feridas incuráveis.


Canídromo Abate 400 cães por ano
27/08/2007 - Tribuna de Macau - Laura Bastos
A Companhia de Corridas de Galgos de Macau, Yat Yuen, abate cerca de 400 cães por ano, devido aos
ferimentos e idade avançada dos animais. O gerente geral da associação da Sociedade Protetora dos Animais de Macau, Albano Martins, condena a atitude da empresa.

Cerca de 400 cães são abatidos todos os anos pela Companhia de Corridas de Galgos de Macau - Yat Yuen, que gere o canídromo, segundo o Sunday Morning Post. Ao jornal, o chefe de operações da empresa, Chris Kuong Wing-Hung, afirmou que os animais são mortos "por injeção letal por veterinários profissionais". Para justificar o abate, o chefe de operações referiu os ferimentos e a idade avançada dos cães.

Chris Kuong Wing-Hung mencionou também a lei vigente em Macau como um dos entraves à doação dos animais. "A lei da RAEM proíbe a adoção destes cães por pessoas que não operem no canídromo, por isso não temos outra escolha", disse. O mesmo responsável assegurou que a empresa irá "apelar ao Governo para reavaliar as leis do território de forma a assegurar o tratamento adequado dos animais". O chefe de operações salientou ainda que os lucros do canídromo têm decrescido nos últimos anos, tornando-se cada vez mais difícil sustentar os 700 a 800 animais que a empresa possui. Chris Kuong Wing-Hung lembrou que os cães precisam de ser alojados, alimentados e exercitados. No total, a empresa gasta cerca de 1.300 dólares de Hong Kong por mês com cada animal. Esta quantia exclui os custos de transporte e criação.

Justificando os baixos lucros do canídromo, o chefe de operações explicou que a média de espectadores é baixa. "Por vezes, aos sábados, as competições recebem cerca de 2.000 espectadores". No entanto, a maior parte do público provém da China Continental, sendo que apenas "estão em Macau para se divertirem e só ficam para assistir às primeiras corridas, depois vão para os cassinos", referiu. "Normalmente, só apostam 10 patacas", acrescentou. O canídromo, o único local da Ásia onde se fazem corridas de galgos, movimenta, num dia regular, cerca de 1,5 milhões de dólares de Hong Kong. Os cães correm 16 vezes por "meeting", quatro noites por semana e 52 vezes por ano. Os animais, na sua maioria importados da Austrália pela Yat Yuen, são abatidos quando tornam-se velhos, segundo Kuong. No entanto, o responsável não soube quantificar o que isso significa, dizendo apenas que a maioria dos cães utilizados nas provas tem entre um e três anos. Em média, um galgo vive entre os dez e os 13 anos.

Há cinco anos, o SMP tinha revelado que o Macau Jockey Club abatia uma média anual de 300 cavalos de corridas, muitos deles saudáveis. O método utilizado era um tiro na cabeça. Na altura, a empresa justificou-se que tal era devido à falta de infra-estrutura e de fundos para conservar os cavalos com prestações mais fracas.

Atitude condenável

O gerente geral da associação da Sociedade Protetora dos Animais de Macau (Anima), Albano Martins, salienta ao JTM que o abate dos animais pela Yat Yuen constitui uma "atitude condenável. É tudo um negócio", frisa ele. No entanto, isto não é uma surpresa para a associação. O mesmo responsável lembra que a Yat Yuen abate cerca de 30 animais por mês, sensivelmente metade dos cães abatidos em junho deste ano no Canil Municipal de Macau.
Segundo o SMP, várias associações protetoras de animais condenaram a prática como desumana e apelaram às autoridades governamentais do território para rever a legislação, tentando abrir um caminho para a adoção dos animais dispensados nas corridas. Recorde-se que os regulamentos respeitantes à posse de animais na RAEM estão atualmente a serem revistos. A última proposta de lei reforça as obrigações de quem possui animais, ampliando o valor das multas.



 

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